Exatos 3 meses e 20 dias de estágio foi o tempo de gestação dessa postagem. Vou puxar da memória os primeiros momentos. A primeira impressão foi ter caído de pára-quedas na Ilha de Lost. Vamos lá: Vôo Viracopos-Fortaleza, de lá um busão destino 237,1Km oeste de Fortaleza, num período de 7h, parando em tudo que é beco por uma estrada pista simples em que só se via mato, vilarejos e bolas de feno girando na frente da pista. Praia, até então, nem sinal. Chegando em Almofala, o ponto final do bumba, faminta, cansada, doida pra chafurdar no mar, fui recebida na porta do ônibus por um homenzinho com abadá amarelo escrito “Moto Táxi”, que repetia rápida e enroladamente: "Porréto Tamar? Porréto Tamar?" Ele tava quase subindo o primeiro degrau do ônibus pra me tirar de lá de dentro. Ok. Foi combinado que um veículo estaria lá pra receber os estagiários. Olhei pra ele, olhei pra moto e lembrei de um recibo de multa de 150 reais por excesso de bagagem, afinal passaria 6 meses num local isolado morando com índios. O nome dele é Hélry, o melhor Moto-Táxi da região, especializado em dirigir a moto na areia fofa sem nos deixar cair de lado. Por isso incumbiram-no de levar “a menina do Projeto”. Ele foi chamar outra moto pra minha bagagem. 2 reais pra cada moto, por uma estrada de areia “15-min-a-pé” pra chegar na porta do Projeto. A galera aqui anda de 3, 4, até 5 se 2 forem crianças numa moto sem capacete, naturalmente.
5% da população tem RG. 2% sabe escrever. 0,003% tem habilitação pra dirigir. Os jegues foram substituídos por motos. O governo Lula deu uma garibada na situação do nordeste, sim. Agora temos grupos de jegues de rua revirando os lixos. O que eles não comem é jogado no mangue e ateado fogo, ou queimam nos próprios quintais de suas casas. Nem sinal de aterro sanitário.
Chegando no meu destino, achei tudo lindo. O calor-sauna-natural do nordeste, a areia pelando que afundava até o tornozelo. Pra chegar no meu quarto tinha que passar pelo Centro de Visitantes. Ajeitado, bem decorado com motivo de tartaruga, tanques com belezinhas nadando pra lá e pra cá (coitadas), xuxu.
Entrando no alojamento, a Executora de Base (cargo imediatamente abaixo de Coordenadora Técnica, antes da autoridade máxima, o Coordenador Regional) nos recebeu e deu as primeiras coordenadas. Eram 16h e não tinha onde comer, mas ali pra frente, pela praia, tinha a Barraca da Gringa. Se ela fosse com a nossa cara podia levantar da rede e fritar um peixe. Nossa chefe perguntou o que a gente queria fazer naquela hora, atravessei: Quero ver o mar!! (na minha cabeça: pelamordedeus me mostra a parte boa disso tudo!)
A praia de Almofala é maravilhosa. Desertinha... A gringa tratou a gente bem e fritou o tal do peixe. A água do mar é mais quente que a função inverno do chuveiro. Como não gosto de passar frio, me amarrei! Até perdoei a quantidade de Sargassum grudada no cabelo, afinal é uma área de alimentação de tartarugas, e a espécie mais abundante do local (Chelonia mydas) é vegetariana. De dentro do mar dava pra ver 2 crianças no rasinho agachando pra fazer cocô. Tudo bem.
Pra dormir, tem que usar aqueles véus contra muriçocas. Na primeira noite descobri que o véu é contra: mosquitos, sapos, baratas, morcegos, ratos, cobras, aranhas caranguejeiras, formigas gigantes voadoras, preás, e por aí vai. Tinha começado o teste de resistência psicológica.
5% da população tem RG. 2% sabe escrever. 0,003% tem habilitação pra dirigir. Os jegues foram substituídos por motos. O governo Lula deu uma garibada na situação do nordeste, sim. Agora temos grupos de jegues de rua revirando os lixos. O que eles não comem é jogado no mangue e ateado fogo, ou queimam nos próprios quintais de suas casas. Nem sinal de aterro sanitário.
Chegando no meu destino, achei tudo lindo. O calor-sauna-natural do nordeste, a areia pelando que afundava até o tornozelo. Pra chegar no meu quarto tinha que passar pelo Centro de Visitantes. Ajeitado, bem decorado com motivo de tartaruga, tanques com belezinhas nadando pra lá e pra cá (coitadas), xuxu.
Entrando no alojamento, a Executora de Base (cargo imediatamente abaixo de Coordenadora Técnica, antes da autoridade máxima, o Coordenador Regional) nos recebeu e deu as primeiras coordenadas. Eram 16h e não tinha onde comer, mas ali pra frente, pela praia, tinha a Barraca da Gringa. Se ela fosse com a nossa cara podia levantar da rede e fritar um peixe. Nossa chefe perguntou o que a gente queria fazer naquela hora, atravessei: Quero ver o mar!! (na minha cabeça: pelamordedeus me mostra a parte boa disso tudo!)
A praia de Almofala é maravilhosa. Desertinha... A gringa tratou a gente bem e fritou o tal do peixe. A água do mar é mais quente que a função inverno do chuveiro. Como não gosto de passar frio, me amarrei! Até perdoei a quantidade de Sargassum grudada no cabelo, afinal é uma área de alimentação de tartarugas, e a espécie mais abundante do local (Chelonia mydas) é vegetariana. De dentro do mar dava pra ver 2 crianças no rasinho agachando pra fazer cocô. Tudo bem.
Pra dormir, tem que usar aqueles véus contra muriçocas. Na primeira noite descobri que o véu é contra: mosquitos, sapos, baratas, morcegos, ratos, cobras, aranhas caranguejeiras, formigas gigantes voadoras, preás, e por aí vai. Tinha começado o teste de resistência psicológica.
Pelo menos dá pra ouvir o mar de dentro do quarto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário