sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Vídeo - Barraca de tirinho - 31 de maio

Ganhei dois xilitos e um pop

Vídeo - Forró dos Réi

Nossa querida baladinha de sexta feira!


Vídeo - Bota pro seco

 Os pescadores numa força-tarefa pra colocar a canoa de um dos currais pro seco, raspar as ostras que se formam embaixo e nos cortam os pés... e pintar a bonita com Zarcão!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Vídeo - Embarque - Esporão Raia Lixa

Vejam a capacidade de adaptação praticamente ilimitada de um ser humano. Eu já estava tão habituada com a rotina dos pescadores... Após o afastamento, é tão chocante rever essas cenas! Se não enlouqueci com essa experiência, passei no teste de resistência psicológica! ;)

Os pescadores no mar estão dando manutenção ao curral de pesca, retirando as cracas e ostras que se formam numa velocidade incrível sobre os mourões de madeira.


Fim


Não fui para o Ceará apenas em busca de um certificado de estágio do bem afamado Projeto TAMAR. Fui para lá em busca dos meus limites. Em busca de como eu reagiria diante de uma saudade que não poderia ser matada da noite pro diar. Ao encontro do medo (eu sentia pavor ao mergulhar). Em busca de uma realidade diferente. Ao encontro da fome e da sede. Em busca do calor. Em busca do amor incondicional. Em busca do sentido da palavra desapego. De arriscar minha vida pela luta em favor de outra. Até que ponto eu seria capaz de agüentar? O que mais me preocupava era se eu desistiria no meio do caminho. Tive medo de fraquejar.  Se por um lado o sonho de levar uma vida simples numa comunidade de pescadores era o lugar-impossível que me tiraria de qualquer uma das eventuais prisões da alma que eu tivesse me metido, por outro temia perder, com o tempo e acomodação, o viço e a coragem que nascem muitas vezes de uma fúria juvenil de querermos romper com tudo o que já  é rotineiro.  Deus colocou essa oportunidade na minha trajetória. Ele ouviu minhas preces em prantos clamando por uma liberdade que aparentemente não dependia de mim. É isso o que você quer, minha filha? Tenho um presente para você. Coube a mim aceitar. Agradeço aos meus pais por me darem suporte para viver esse sonho, e por terem sido mais corajosos que eu mesma ao permitirem que uma filha saísse rumo ao desconhecido. Consegui transpor uma etapa que, se não fosse cumprida logo, muito provavelmente ficaria perdida no porão dos sonhos e desafios irrealizados. Venci o medo. Perdi uma série de frescuras e desintegrei meus tabus. Rezei, rezei, rezei. Tentei de todas as formas deixar algo bom pra todas aquelas pessoas, sem exceção. Fiz de tudo para que essa experiência, independente das dificuldades, fosse doce. Deixei mais da metade de mim naquele terreno longínquo, arenoso e aquoso, e trouxe muito mais na bagagem. Trouxe sementes preciosas que nunca deixarão de se desenvolver em enormes árvores frutíferas de sombra agradável e pássaros coloridos. Aprendi que amor se pratica e se visto como arte, aprende-se. Aprendi a amar as tartarugas como se ama a um gatinho de companhia, do qual sentimos saudade o dia todo. Aprendi a dar o verdadeiro valor à água limpa e corrente, à comida farta e ao chuveiro quente. Não importa o quanto você estudou. Não importa o quão você acha que sabe. Você sempre poderá aprender alguma coisa com quem quer que seja. O tempo é curto. Os caminhos, infinitos. Compartilhar é tudo na vida.

Vídeo - Pesqueira VR em dia de festa

Vídeo - Pesqueira da Volta do Rio e sardinhas

As sardinhas são vendidas a  20 centavos o quilo


Vídeo - Sol nascente na Volta do Rio

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Vídeo - Gata Suri - Vício por tecidos

E toda sorte de pijamas...

Vídeo - Pescador Itamar fala sobre lagostas e o período de defeso

Vídeo - Metodologia de coleta - Volta do Rio

Procedimentos padrão feitos nas tartarugas capturadas para coleta de dados de pesquisa do TAMAR - Ceará, uma área de alimentação das 5 espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil. O espécime em questão é uma Caretta caretta sub adulta.

Vídeo - Confecção esteira

Neste vídeo os pescadores da Volta do Rio - Curral 11 - confeccionam uma esteira de cipó e madeira, para manutenção do curral de pesca. Reparem que eles estão receosos que a obtenção das imagens possa prejudicá-los, julgando errôneamente que eu seja fiscal do IBAMA.


Vídeo - Renda de Bilro

Hipnose:  assistir às domadoras dos Bilros da Volta do Rio

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Vídeo - Chegando no Guajiru

Esse é um dos nossos escritórios, 30min de bike da Sub-Base. Dia sim dia não, pois há revezamento entre os estagiários. 
Um dia peguei um pescador batendo numa tartaruga aí. Não tinha vindo mais nada na rede, nem um peixe. Catei a bichinha da mão dele e levei pra Almofala. Tomara que ele não tenha passado fome esse dia.


Cachimbo

 Ele é bem áspero e tem a barriga mole...

Itarema - Carro de arara

Cidade de Itarema filmada do pau de arara. To com muito sotaque. A mulher me perguntou o que todos perguntam quando me vêem: se é hanseníase ou picadas de mosquito na minha perna.

sábado, 19 de junho de 2010

Contemple

Falta para o ser humano contemplar a natureza. Simplesmente parar e observar. 
É um espetáculo dinâmico, cada dia diferente do outro, e dá pra ficar horas maravilhado.
Esses dias eu tava no mar, depois de vasculhar o curral atrás de tartarugas e brincar bastante, enquanto os pescadores montavam uma esteira (uma peça do curral). Parei pra observar os martim-pescadores, me equilibrando nágua com as nadadeiras. Os pescadores os chamam de "maçarico" e não sei o nome exato, mas são lindas, graciosas e se equilibram na asa do vento, mergulhando atrás de pequenos peixinhos. O mar azul. Os coqueirais no horizonte à minha direita. As avezinhas mergulhando e voando pra lá e pra cá. Lembrei que, quando pequena, minha mãe desenhava pra mim uma casinha, coqueiros e gaivotas. Ela não sabia fazer outra coisa. De repente era igualzinho à cena que eu estava presenciando. Ela é do sul, e lá não tem coqueiros! Também nunca morou na praia, mas desenhava a silhueta daquelas aves marinhas como ninguém. A casinha era bem parecida com a pesqueira lá na beira da areia. 

"Poxa, mãe. Adivinhou!" - pensei

-Nana!!!! Já vai embora? - gritou um pescador lá longe, rindo

A maré tava me levando pro Piauí!

Súplica Cearense

Se eles soubessem que certas percepções  não têm nada a ver com a idade, nos dariam mais ouvidos. 
Espero nunca chegar ao ponto de não querer ouvir  nada, praquilo não tirar a paz de espírito relativa às minhas próprias atitudes. Deus abençoe e ilumine essas pessoas aqui. Sem exceção.


quinta-feira, 17 de junho de 2010

terça-feira, 15 de junho de 2010

Abrindo as portas da percepção

Nós simplesmente não temos noção o quão estragamos nossos sentidos enfurnados entre pistas de rolamento e estruturas de concreto. A vida na praia tem me abrido os olhos, os ouvidos, o nariz, a visão, o tato. Ter um campo de visão amplo faz com que exercitemos esse sentido a longas distâncias. Já consigo saber se tem alguma canoa com pano abaixado no curral, no horizonte pequenino, e  distingo os pescadores pelas silhuetas, uma sombra negra e pequenina lá no meio do mar. Olhando uma sombra de cima lá na água e dá pra saber se é uma tartaruga, um cardume de sardinhas, etc.  Do alto mar, vendo um montinho na areia, sei se é uma tartaruga de barriga pra cima , inclusive que espécie que é. Só na pratica mesmo. Já estou reconhecendo as pegadas na areia de quem são. Quando cheguei, achava incrível os pescadores saberem quem tinha passado por ali! Andar descalço faz com que prestemos muito mais atenção onde a gente pisa: uma plantinha, uma pedra ou uma cobra! Muito mais seguro que atropelar tudo de galocha sem sentir nada. Além disso, quando andamos descalços, nossos outros sentidos também ficam mais aguçados. Nossa percepção geral cresce, aumenta o fluxo de energia com a natureza. Os ouvidos não se entorpecem com o ruído dos automóveis e começamos a distinguir o canto dos pássaros, etc. etc. O olfato não fica estragado com a poluição e consequentemente sentimos mais o sabor dos alimentos. É. Fomos feitos pra isso mesmo.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Yes, nós temos lagostas!

Pra comer uma lagosta aqui, só ganhando de presente de algum pescador artesanal. Amigos pescadores, aqui, não nos faltam. Ainda bem!
Obs: a coloração muda quando ela é passada na água fervente








segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ladrões elegantes

Em lugares pequenos, onde todo mundo se conhece, dificilmente você encontra a bandidagem perversa da cidade grande. O que rola é a lei da bala, sim, mas só se você  cobiçar a mulher do próximo ou, enfim, se meter onde não é chamado. É uma questão de saber se portar em sociedade. O que vemos são os ladrões de galinha. Aqueles que pulam o cercado da sua casa pra pegar um côco e um tuppeware que tava no tanque, essas coisas. Essas figuras geralmente são manjadas: todo mundo sabe quem é e toma cuidado com elas. Mesmo assim, não perdem a "amizade". A relação com eles é normal, mas você só fica de olho aberto pra eles não pegarem alguma coisa sua num momento de distração. 
Um desses que tinha aqui chama Portela. O cara roubava na cara dura. Tem seus 20 e poucos anos e carregava os peixes pros pescadores das canoas pras pesqueiras. Forte que só. Mas tinha prazer em cometer pequenos delitos! Muito ligeiro.
Um dia desses os meninos tavam sentados na porta da Sub-base, numa das clássicas tardes de calor e descanso, quando passa o Portela numa moto com umas esteiras de arame enormes, das quais são feitos os currais de pesca, amarradas na garupa. Deu uma buzinada, acenou pra eles e seguiu em frente. 
No dia seguinte a gente soube que ele foi preso. As esteiras eram do Zé Miguel.

sábado, 5 de junho de 2010

Ceará Terra da Luz

A TV aqui faz muita propaganda de lugares. Não tem muito comercial  "compre produtos" igual no estado de São Paulo.  O estado aqui é pouco contaminado pelo capitalismo. Tem muita propaganda de Minas, Interior de São Paulo, Amazônia, Goiás, Rio, todo lugar. Imagens lindas de natureza, no estilo "Visite". Tem muito fluxo de mão de obra daqui pro sul (inclui-se Minas, São Paulo).  A galera sai por um tempo pra trabalhar em empreitadas braçais, junta um pé de meia e voltam pra curtir uma vida tranquila.  De tempos em tempos eles saem, depois de 1  ano e meio, 2, voltam de novo. As propagandas acabam sendo um estímulo pra eles, a meu ver. 
Mas uma das propagandas desse estilo fala do próprio Ceará. Eu a-do-ro ela. Já me sinto Cearense. A vibração daqui é bem essa que fala na música...

Ceará Terra da Luz
Ítalo e Renno

Imagina um lugar lindo, todo colorido, pintado na mais bela tela pelo criador
Imagina o meu lugar dos sonhos, o meu paraíso
As cores da felicidade sorrindo pra você
Imagina meu porto seguro, minha alegria
Eu agradeço todo dia eu tenho amor e paz!
Daqui o mundo é tão bonito, pode ter certeza
Tanta beleza, não troco por nada
Eu sou feliz demais!

E o sol iluminando os corações
E o verde do teu mar que me seduz
A tua maravilha encanta, eu posso me orgulhar

Porque eu sou cearense, porque sou brasileiro
Sou apaixonado pelo meu lugar
Eu trago no peito um amor verdadeiro
Eu sou da Terra da Luz, eu sou do Ceará!


O que vale é a intenção

Em noite de lua tem embarque noturno. A galera vai uns 5 dias seguidos a partir da lua cheia pegar Robalos, pra aproveitar as luas mais claras do mês. Mas eles têm que embarcar umas 17h30 pra conseguirem ver o rumo do curral. Isso quer dizer embarcar com a maré cheia em muitas ocasiões. Desse jeito não dá pra ver as pedras, que ficam encobertas. No Ceará não tem muitos recifes naturais. Aliás, quase nada! Só areia mesmo.  As pedras a que me refiro são britas de um paredão que a maré destruiu, e ficam bem na região em que as canoas estacionam.
Minha chefe disse que a gente não necessariamente precisa embarcar à noite, pelo risco excessivo. De noite é embaçado! Mas já viu a teimosia né. No primeiro mês perdi a hora do primeiro dia, cheguei uns 10min atrasada e só vi as velas rumo ao horizonte. Voltei pra casa decepcionada. Na segunda noite, atrasei 5min, mas tinha uma última canoa saindo e eu me enfiei no mar pra chegar nela, com a mochila levantada. Tava perto! A água ia cobrir até pra cima do umbigo um pouco. Só que a maré tava alta e esqueci das pedras que tavam embaixo. Tomei um tombo, cai de mochila e tudo, molhou tudo! Lanterna, camera, gps. Quem via de longe só viu minha cabecinha pra fora dágua. Cortei os pés, voltei frustradíssima, joguei a mochila de um lado e sentei na areia. O Thiago tava vindo atrás, viu tudo de longe. No nível do mar o campo de visão é extenso, hehe. Ele tava vindo conferir se eu iria conseguir embarcar, nesse caso ele não precisaria vir mais tarde. Na hora que ele chegou, me viu molhada sentada na beira da praia, mão no queixo, sol se pondo, canoa indo embora. Olhei pra cara dele. Foi a maior gargalhada da história!

Vídeo - Chelonia mydas juvenil - Volta do Rio

 Essa veio no curral do Sabino, o 13. Uma Cheloniazinha de 28 centímetros. Tartaruga-verde, se alimenta de algas. Muito fofinha! A galera na canoa tá esperando pra comprar os peixes dos currais que vão chegar.

Vida de Havaianas

Aqui no Ceará existe uma única estação: VERÃO. 
O que eles chamam de inverno é quando dá umas pancadas de chuva diárias que não duram mais que 30min. Quando tem um vento mais gelado não dura mais que uma madrugada. Frio extremo só senti nas tempestades no mar, devido à chuva gelada + vento forte. A água do mar permanece uma sopa, só dar um mergulho que passa. 
Aqui não existe a mínima condição de se usar tênis! Aliás, o par que eu trouxe só foi utilizado no avião e aeroportos, devido aos ar-condicionados... Depois disso, sexto ofício. Deve ser chato ter que usar tênis de novo! 
A areia desgasta os solados das Havaianas, tem que comprar um par delas por mês. Tá certo que isso é pra quem anda bastante. Na praia, pé descalço!  Nada mais agradável. Exceto quando um siri medroso resolve te beliscar e sair correndo.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Vídeo - Limpando um Robalo

 Em seguida o Thiago chegou com um Robalo (também conhecido por Camorim)  que ele tirou da grade do curral, vivo ainda. Provavelmente tava preso desde a noite, pois é um peixe civilizado e com hábitos noturnos. Foi a nossa janta.

Vídeo - Limpando uma Anchova

Como a gente ganha peixe todo dia, nada mais justo que tratá-los e comê-los. Nem sinto mais tanta falta de porco e picanha, até porque um peixinho fresco assado faz bem demais! Ser humano se adapta a tudo mesmo. C'est la vie!

terça-feira, 1 de junho de 2010

Vídeo - Subindo na canoa

Uma odisséia

Vídeo - Tranquilidade no Guajiru

Cenas de um dia de trabalho no Guajiru... bendito vento mole!

Homem e Natureza


As cidades são o grande mal da humanidade. Quanto maiores, mais nocivas pra  natureza humana.  Nossa espécie tem o comportamento de viver em bandos relativamente pequenos. Conte os contatos do celular de umas 50 pessoas aleatórias,  com quem elas falam com alguma freqüência. Nas cidades  nos sentimos aprisionados, ansiosos, buscamos estímulos pra nos distrair do nosso “eu”  o tempo todo.  Matamos o tempo que foi tão difícil de conquistar. Trabalhamos tanto pra entrarmos naqueles eixos, que ficamos distantes de nós mesmos.  O contato com a natureza nos deixa em paz, com uma reflexividade positiva. É natural. Tão importante quanto alimentar o corpo, é alimentar o espírito. 

"O homem moderno é alienado de si mesmo, de seus semelhantes e da natureza. Transformou-se num artigo, experimenta suas forças de vida como um investimento que lhe deva produzir o máximo lucro alcançável sob as condições de mercado existentes. As relações humanas são essencialmente as de autômatos alienados, cada qual baseando sua segurança na posição mais próxima do rebanho e em não ser diferente por pensamentos, sentimentos ou ações. Ao mesmo tempo que todos tentam estar tão próximos quanto é possível dos demais, todos se sentem extremamente sós, invadidos pelo profundo sentimento de insegurança, ansiedade e culpa que sempre ocorre quando a separação humana não pode ser superada. Nossa civilização oferece muitos paliativos que ajudam as pessoas a se tornarem conscientemente inconscientes dessa solidão: antes de tudo, a estrita rotina do trabalho mecânico, burocratizado, que as auxilia a permanecerem sem conhecimento de seus desejos humanos mais fundamentais, da aspiração de transcendência e unidade. Como a rotina, por si só, não o consegue, o homem supera seu desespero inconsciente através da rotina da diversão, do consumo passivo de sons e visões oferecidos pela indústria do divertimento; e, além disso, pela satisfação de comprar sempre coisas novas e de logo trocá-las por outras."

"A principal missão do homem, na vida, é dar luz a si mesmo e tornar-se aquilo que ele é potencialmente." Erich Fromm

Sugestões:

FROMM, Erich. A arte de amar

MORRIS, Desmond. O Macaco Nu

Tá com medo de quê?

Uma das coisas que aprendi aqui foi a riscar a palavra medo do meu vocabulário. Com medo, a gente não sai do lugar. Encarar o mar exige confiança numa proteção sublime pra que aquilo seja sereno e agradável. É assim com a vida também.
No trabalho com animais existe uma troca de energias muito intensa. Pra quem vai trabalhar com eles, é essencial ter amor de sobra e confiança na vida, no poder divino que nos protege e ilumina. Quem vai lá no mar bravio, não sabe o que vai achar. 

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia. E se não ousarmos fazê-la, teremos ficado para sempre à margem de nós mesmos."

Fernando Pessoa

Corpo cansado, espírito em festa


Dia 31 foi um dia especial. Tava frio de manhã, amanheceu chovendo e eu tinha que embarcar. Quando a gente saiu do curral, começou uma tempestade torrencial. Forte! Gelada! Vento! Raios!  A canoa balançava e tínhamos que embalar os peixes. Senti um frio que mal conseguia me mexer. De repente os pescadores desceram o pano, e a gente pulou na água... Tava tããão quentinha!! A água do mar fazia um ballet rumo ao horizonte branco, nos envolvendo.   Uma sensação de liberdade. Medo?  Foi um dos dias mais felizes da minha vida! Simples, leve e divertido.  Como a vida deve ser... 

Tábua de Maré

Demorei pra entender esse assunto de maré. Existe uma tábua feita pela marinha com previsões sobre a altura da maré em determinados horários do dia.  Ela varia de acordo com a hora de nascimento da lua. Pra passar a rede tem que ser na maré mais baixa, 0.alguma coisa. Os peixes ficam presos no curral quando a maré volta pra trás, no mínimo. A boca do curral fica voltada pra terra. Resumindo: meu horário de trabalho (e dos pescadores) varia de acordo com a maré. Delicioso!

Quanto ás luas, a lua cheia é a melhor de todas! Dá pra ver tudo na praia de noite! Geralmente os pescadores embarcam umas 17h da tarde pra pescar robalo (ou camorim), um peixe noturno, e voltam de noite. A praia fica liiiinda! Planeje suas viagens de fim de semana coincidindo com a lua cheia. Dá pra fazer aquele lual na praia. Tem em todos os calendários... Essa tábua é do mês de junho. Lua cheia é dia 26. 
 
TERMINAL PORTUÁRIO DO PECÉM (ESTADO DO CEARÁ)

Latitude: 03º32,1'S                 Longitude: 038º47,9'W                          Fuso: +03.0 Ano: 2010
Instituição: DHN 12                 Componentes Nível Médio: 1.48         Carta: 00705

Lua Dia Hora Alt.(m)

TER 01/06/2010 01:08 0.8


07:15 2.3


13:43 0.6


20:00 2.1

QUA 02/06/2010 01:54 0.9


08:00 2.2


14:26 0.7


20:45 2.0

QUI 03/06/2010 02:41 1.0


08:49 2.1


15:13 0.8


21:36 2.0
SEX 04/06/2010 03:36 1.0


09:43 2.0


16:06 0.9


22:28 2.0

SÁB 05/06/2010 04:38 1.0


10:45 2.0


17:02 0.9


23:24 2.0

DOM 06/06/2010 05:39 1.0


11:49 2.0


18:00 0.9

SEG 07/06/2010 00:17 2.1


06:38 0.8


12:49 2.1


18:53 0.8

TER 08/06/2010 01:08 2.2


07:30 0.7


13:43 2.2


19:43 0.8

QUA 09/06/2010 01:56 2.4


08:19 0.5


14:30 2.3


20:30 0.6

QUI 10/06/2010 02:43 2.5


09:04 0.4


15:17 2.4


21:15 0.5

SEX 11/06/2010 03:26 2.7


09:53 0.2


16:04 2.5


22:02 0.5
SÁB 12/06/2010 04:11 2.8


10:38 0.2


16:51 2.6


22:49 0.4

DOM 13/06/2010 04:58 2.8


11:21 0.1


17:36 2.6


23:36 0.4

SEG 14/06/2010 05:45 2.8


12:08 0.1


18:23 2.6

TER 15/06/2010 00:23 0.4


06:34 2.8


12:56 0.2


19:09 2.6

QUA 16/06/2010 01:13 0.5


07:23 2.7


13:47 0.3


20:02 2.5

QUI 17/06/2010 02:06 0.5


08:17 2.5


14:39 0.4


20:58 2.4

SEX 18/06/2010 03:04 0.6


09:15 2.4


15:38 0.5


21:56 2.4
SÁB 19/06/2010 04:08 0.7


10:19 2.3


16:39 0.6


22:58 2.3

DOM 20/06/2010 05:15 0.7


11:28 2.2


17:43 0.7

SEG 21/06/2010 00:02 2.3


06:23 0.6


12:38 2.2


18:45 0.7

TER 22/06/2010 01:02 2.4


07:24 0.6


13:39 2.3


19:45 0.7

QUA 23/06/2010 01:56 2.4


08:21 0.5


14:36 2.3


20:36 0.6

QUI 24/06/2010 02:47 2.5


09:09 0.4


15:24 2.4


21:23 0.6

SEX 25/06/2010 03:34 2.6


09:58 0.3


16:11 2.4


22:08 0.6
SÁB 26/06/2010 04:15 2.6


10:41 0.3


16:54 2.4


22:51 0.6

DOM 27/06/2010 04:56 2.6


11:19 0.3


17:34 2.4


23:30 0.6

SEG 28/06/2010 05:36 2.6


12:00 0.3


18:11 2.4

TER 29/06/2010 00:08 0.6


06:13 2.5


12:38 0.4


18:51 2.3

QUA 30/06/2010 00:47 0.7


06:53 2.4


13:11 0.5


19:24 2.2

Sub-base Volta do Rio


O trabalho na Volta do Rio é diferente de Almofala. A Sub-base é um sobrado que faz parte de uma comunidade de pescadores.  Aqui tem uma lan house perto, com 3 computadores. Não temos o Centro de Visitantes nem a Brigada Ecológica, que acontece no Centro de visitantes em Almofala, em que 10 crianças passam as tardes de terça e quinta fazendo atividades conosco. Eles são muito indisciplinados! Aqui é só trabalho de campo e escola, e são bem menos escolas. Dá pra dar aquela esticada na rede depois do campo, independente do horário que você chega.  Mas aqui tem os embarques de madrugada.  Tem também a fofoca. A galera aqui observa sua vida e comenta mesmo! Ainda mais que a gente chama pouca atenção, por ser de fora, por ser do Ibama. Não tão nem aí! No começo era desgastante ouvir sermão da coordenação, mas hoje eu acho muita graça e não me importo nem um pouco. Dou risada, brinco com eles, confirmo as coisas. Meus chefes ficam doidos com algumas fofocas em relação a nós, pedem pra gente evitar beber em público e, claro, relacionamento com pessoas da comunidade nem pensar! Voltando pro trabalho na Volta do Rio, aqui a gente faz cobertura de 7Km de costa, mais ou menos. Tem embarque em 2 pontos. Um curral, a 5Km do aloja, o Guajiru, e outro ponto mais  perto, uns 15min de casa a pé. Esse último tem 7 currais. Calculando uma média de 5 pescadores por canoa, são em 35-40 homens reunidos na pesqueira, bebendo Ypioca e esperando pra saírem todos juntos, de acordo com a altura da maré. Escolho uma canoa por dia pra ir dar um mergulho. Pra passar a rede no curral tem que ser com a maré mais baixa, que ocorre de 12 em 12 horas mais ou menos, e varia um período de 45min por dia.  Se a gente embarca um dia às 4h da manhã, no dia seguinte tem que estar na pesqueira às 4h30, no outro às 5h e assim sucessivamente. Quando o embarque tá lá pro meio dia, vira a maré de novo e recomeçam os embarques da madruga. 

domingo, 30 de maio de 2010

Vídeo - Canoa pro seco

 Galera numa força pra botar a canoa pro seco pra raspar as ostras que se formam nela

Vídeo - Camurupim

Dá pra fazer lixa de unha com as escamas dele

Vídeo - Lepi no alojamento aguardando soltura

 Uma tartaruga fêmea da espécie Lepidochelys olivacea no alojamento aguardando o momento de estar em liberdade. Só fazer carinho que ela fica quietinha.

Vídeo - Pescadores passando a rede no curral

Pescadores passando a rede no chiqueiro, porção final do curral de pesca, em que os peixes e tartarugas ficam aprisionados para despesca.

Vídeo - Embarque CRL14

 Embarque no curral 14. Com um trabalho chato desse, só tenho a declarar que esse governo não tá com nada!

Vídeo - Caretta caretta voltando pra casa

Tartaruga da espécie Caretta caretta (tartaruga-cabeçuda) voltando pro mar após o manejo, em Almofala. Essa foi a número um do estágio.

Vídeo - Primeiras saídas de campo

 Primeiro contato em prática com uma Chelonia mydas juvenil, no início do estágio.

Vídeo - Tainhas no manzuá

 Tainhas capturadas no Manzuá,  arte de pesca especialmente desenvolvida para captura de lagostas.

Vídeo - Despesca de uma Lepidochelys olivacea

Vídeo feito da grade de um curral de pesca. Momento em que os pescadores puxam a rede com a tartaruga dentro.

Vídeo - Zeca limpando Baiacu-garajuba

sábado, 29 de maio de 2010

A lua é o celular de Nana

O melhor sinal de celular da região é em alto mar, ou na cidade próxima. Tanto em Almofala quanto na Volta do Rio pega um pauzinho em poucos lugares: na janela do alojamento, numa duna atrás do aloja de Almofala, e mesmo assim vive caindo. Com isso a gente acaba utilizando recursos sublimes de comunicação, como desejar coisas boas pras pessoas amadas olhando pra lua na beira da praia.

Experiências sobrenaturais

Pensem numa pessoa cética, recém deformada na faculdade, daquelas que encontram uma explicação científica pra tudo.  Agora mandem ela pra cá.
Locais "de natureza" abarcam uma energia muito forte. Acho que até aí poucas pessoas discordam.  Inclusive a gente busca esses locais pra "descarregar" a urucubaca acumulada na babilônia.  Locais isolados, onde as pessoas são enterradas nos quintais das casas, mais ainda.
Falei brincando na primeira postagem pra vocês rezarem por mim contra espíritos perversos. 
Gostaria de repetir, só que mais sério do que nunca. Coisas muuuito estranhas acontecem nesse lugar.
Primeiro, uma noite de delírio e interação com o outro estagiário, falando coisas totalmente sem sentido em uma conversa absurda que, nitidamente, não era por nós.. Na manhã seguinte aparece escrito na pá de casa "SUB-ALDEOTA". A porta do banheiro que fechava, quebrou e consertou sozinha. Morcegos dando rasante na sala, batendo a cabeça na parede, num comportamento totalmente atípico. Um cara pára na porta de casa no meio da noite e começa a socar um gato contra uma árvore, larga ele lá, morto, e sai na moto, acelerado. E muitas outras coisas estranhas repletas de  vibração negativa.
Onde tem muita energia positiva, tem a negativa em igual intensidade tentando se infiltrar. Foi a conclusão que tiramos (os 3 estagiários). Cabe a você saber sintonizar na freqüência certa. Não é uma tarefa nada fácil, principalmente quando não se acredita em nada. A negatividade gruda com facilidade, não exige treino nenhum da nossa parte.  Quando estamos no negativo, só enxergamos o lado ruim e perverso das coisas. Ficamos presos a isso. Se passamos pro positivo, a visão se amplia. A gente enxerga tudo, o lado positivo e o negativo, que fica lá na dele, beeem longe. Os dias são mais claros e mais leves.  O que antes parecia crença ou fé infantil de repente torna-se uma racionalidade superior. Agora dá pra colocar cada coisa em seu devido lugar, enxergar as soluções e possibilidades muito além. Deus existe, minha gente. Porque se a gente não sintonizar e confiar numa positividade superior, estamos perdidos! Experiência própria. Sem o leme pra guiar e sem um mestre pra mirar  o barco fica à deriva.  Aprimorei meus métodos de reza. Colocamos atrás da porta o Salmo 91 e o Coríntios 13. Desde então, não aconteceu mais nada estranho. E o melhor de tudo, as respostas pras nossas perguntas passaram a aparecer toda hora. Aquelas coisas que você vivencia e tem certeza que tem alguém te ouvindo e mostrando o caminho pra você. O fluxo de energia do mar tá com um canal aberto. Dá pra sentir na pele.  Antigamente eu só rezava quando tava na pior, truco! Agora, diariamente, toda hora. Positividade sempre! Fale com ele, sem cerimônia. Dá certo.