domingo, 30 de maio de 2010

Vídeo - Canoa pro seco

 Galera numa força pra botar a canoa pro seco pra raspar as ostras que se formam nela

Vídeo - Camurupim

Dá pra fazer lixa de unha com as escamas dele

Vídeo - Lepi no alojamento aguardando soltura

 Uma tartaruga fêmea da espécie Lepidochelys olivacea no alojamento aguardando o momento de estar em liberdade. Só fazer carinho que ela fica quietinha.

Vídeo - Pescadores passando a rede no curral

Pescadores passando a rede no chiqueiro, porção final do curral de pesca, em que os peixes e tartarugas ficam aprisionados para despesca.

Vídeo - Embarque CRL14

 Embarque no curral 14. Com um trabalho chato desse, só tenho a declarar que esse governo não tá com nada!

Vídeo - Caretta caretta voltando pra casa

Tartaruga da espécie Caretta caretta (tartaruga-cabeçuda) voltando pro mar após o manejo, em Almofala. Essa foi a número um do estágio.

Vídeo - Primeiras saídas de campo

 Primeiro contato em prática com uma Chelonia mydas juvenil, no início do estágio.

Vídeo - Tainhas no manzuá

 Tainhas capturadas no Manzuá,  arte de pesca especialmente desenvolvida para captura de lagostas.

Vídeo - Despesca de uma Lepidochelys olivacea

Vídeo feito da grade de um curral de pesca. Momento em que os pescadores puxam a rede com a tartaruga dentro.

Vídeo - Zeca limpando Baiacu-garajuba

sábado, 29 de maio de 2010

A lua é o celular de Nana

O melhor sinal de celular da região é em alto mar, ou na cidade próxima. Tanto em Almofala quanto na Volta do Rio pega um pauzinho em poucos lugares: na janela do alojamento, numa duna atrás do aloja de Almofala, e mesmo assim vive caindo. Com isso a gente acaba utilizando recursos sublimes de comunicação, como desejar coisas boas pras pessoas amadas olhando pra lua na beira da praia.

Experiências sobrenaturais

Pensem numa pessoa cética, recém deformada na faculdade, daquelas que encontram uma explicação científica pra tudo.  Agora mandem ela pra cá.
Locais "de natureza" abarcam uma energia muito forte. Acho que até aí poucas pessoas discordam.  Inclusive a gente busca esses locais pra "descarregar" a urucubaca acumulada na babilônia.  Locais isolados, onde as pessoas são enterradas nos quintais das casas, mais ainda.
Falei brincando na primeira postagem pra vocês rezarem por mim contra espíritos perversos. 
Gostaria de repetir, só que mais sério do que nunca. Coisas muuuito estranhas acontecem nesse lugar.
Primeiro, uma noite de delírio e interação com o outro estagiário, falando coisas totalmente sem sentido em uma conversa absurda que, nitidamente, não era por nós.. Na manhã seguinte aparece escrito na pá de casa "SUB-ALDEOTA". A porta do banheiro que fechava, quebrou e consertou sozinha. Morcegos dando rasante na sala, batendo a cabeça na parede, num comportamento totalmente atípico. Um cara pára na porta de casa no meio da noite e começa a socar um gato contra uma árvore, larga ele lá, morto, e sai na moto, acelerado. E muitas outras coisas estranhas repletas de  vibração negativa.
Onde tem muita energia positiva, tem a negativa em igual intensidade tentando se infiltrar. Foi a conclusão que tiramos (os 3 estagiários). Cabe a você saber sintonizar na freqüência certa. Não é uma tarefa nada fácil, principalmente quando não se acredita em nada. A negatividade gruda com facilidade, não exige treino nenhum da nossa parte.  Quando estamos no negativo, só enxergamos o lado ruim e perverso das coisas. Ficamos presos a isso. Se passamos pro positivo, a visão se amplia. A gente enxerga tudo, o lado positivo e o negativo, que fica lá na dele, beeem longe. Os dias são mais claros e mais leves.  O que antes parecia crença ou fé infantil de repente torna-se uma racionalidade superior. Agora dá pra colocar cada coisa em seu devido lugar, enxergar as soluções e possibilidades muito além. Deus existe, minha gente. Porque se a gente não sintonizar e confiar numa positividade superior, estamos perdidos! Experiência própria. Sem o leme pra guiar e sem um mestre pra mirar  o barco fica à deriva.  Aprimorei meus métodos de reza. Colocamos atrás da porta o Salmo 91 e o Coríntios 13. Desde então, não aconteceu mais nada estranho. E o melhor de tudo, as respostas pras nossas perguntas passaram a aparecer toda hora. Aquelas coisas que você vivencia e tem certeza que tem alguém te ouvindo e mostrando o caminho pra você. O fluxo de energia do mar tá com um canal aberto. Dá pra sentir na pele.  Antigamente eu só rezava quando tava na pior, truco! Agora, diariamente, toda hora. Positividade sempre! Fale com ele, sem cerimônia. Dá certo.

Machismo cearense

Se você acha que nossa sociedade é machista, é porque não conhece o Ceará!
Uma bela noite estava com o outro estagiário bebendo pinga com tampico, num boteco de esquina com o pessoal da comunidade, em Almofala. De repente percebi que os homens estavam mijando atrás da porta do estabelecimento, escondidos. Comecei a rir e perguntei onde era o banheiro feminino.
A resposta: mulher se vira!

Tópico especial: dialeto local

O modo de falar daqui não é tão cantado quanto o da Bahia, é bem diferente!
Eles trocam o V, o F, o G e algumas outras letras pelo R. Numa boa.
Seguem algumas expressões comumente utilizadas no dialeto daqui, com exemplos práticos do uso. Vou começar a anotar tudo e atualizar com frequencia.

Abarruou = atravessou, atropelou, passou por cima (estar no lugar que era pra ser de outra pessoa)


Abas = mãos e pés (nossos ou das tartarugas)


Acolá =

Alpargatas = chinelas


Adequado = correto, bem feito
Ex: Professora, meu desenho tá adequado?



Aruanã = tartaruga verde
Ex: Essa Aruanã dá farofa pra uma semana!

Arrochar/Acochar = apertar

Avexado = apressado
Ex: Avexado come cru

Aperreado = irritado, zangado
Ex: Aperriou-se todo

Bonel = qualquer recipiente utilizado pra retirar água de dentro da canoa

Bota em riba/ Ergue o pau = Hora de subir a vela

Bolir = Mexer
Ex: Bolindo com as aba a gente se equilibra no mar

Chilito = Cheetos, bolacha passatempo, pipoca doce, biscoitos fofy, de polvilho e tudo que seja porcaria dentro duma embalagem colorida

Derradeiro = final, último
Ex: No derradeiro do mês tem noite de lua cheia

Dar valor = gostar
Ex: Quem fuma não dá valor a respirar

Civilizado = esperto, ensinado, educado
Ex: O camorim é um peixe civilizado, a gente chega perto do curral ele sai de dentro

Feriar = estipular dia de folga
Ex: Vamos feriar amanhã (quinta),  na sexta a gente vem pro mar

Frescando = zuando, brincando
Ex: Tá frescando com a minha cara?

Railúqui = Hilux

Ibamba = Ibama 

Imprensar = emendar
Ex: Quinta é feriado, sexta vai ser imprensado


Lá está = olha lá


Melado = bêbado

Merendar = tomar café da manhã/lanche da tarde

Molha o pau = utilizar varas de bambu pra levar a canoa pro seco apoiando no fundo, quando não tem vento 

Pelejar = penar, sofrer 

Pop =  Pirulito

Qualidade = tipo
Ex: Essa qualidade de tartaruga eu não como não 

Reimoso = alimentos que deixem seu sistema imunológico baixo ou retire o tesão das mulheres, machucados que demoram a cicatrizar
Ex: Esse peixe é reimoso
Ex2: Corte do pé na ostra é reimoso (quer dizer que demora pra fechar pq a ostra tem veneno)

Réio = velho

Réa = velha
Ex: no frigorifico (que não tem freezer) só tinha muxiba-réa

Serenar = acalmar

Se garante = Faz bem feito
Ex: Ela se garante no trabalho

Terral = vento sul, ruim pra chegar no curral pq ele te leva de volta pra costa
Ex: Terralzinho... vamo nos pau (empurrando a canoa com vara de bambu)

Vovô = outras espécies de tartaruga, que eles não gostam muito de comer
Ex: Cuidado com essa Vovôzona, morde mais que cachorro! 

Vento duro = vento forte

Vento mole = vento fraco, ruim pra embarcar

Zinga = navegar na base da vara de bambu, quando o vento tá mole 
Ex: O curral 16 tá voltando na zinga

Zuada = Barulho



Monitoramento marinho - Base Almofala


O Ceará é uma área de alimentação de tartarugas marinhas.  Existem somente 3 bases com essa característica no Brasil: Floripa, Ubatuba e Ceará. Em Floripa e Ubatuba, o forte é a parte veterinária  e o atendimento aos turistas no Centro de Visitantes.  Estagiário dificilmente vai pro campo e tem contato com pescador, só quando tem que ajudar alguém que é contratado pra isso. Em áreas de desova, você só tem contato com as fêmes que sobem pra areia durante a noite pra depositarem seus ovos.  Aqui  no Ceará o buraco é mais embaixo.  Quero dizer, mais em cima! Diga-se de passagem, o trampo é irado! Contato total com a comunidade e com os bichos no ambiente natural. Além de ser o fim do mundo,  a equipe é pequena.  A verba é curta. Estagiário faz de tudo, até ajudar os chefes a passar os dados sagrados quando necessário.  O bom é que a gente acaba  compreendendo  todas as partes do processo TAMAR. 
 A parte melhor do trabalho é sem dúvidas ir pro campo.  Apesar do cansaço físico, o contato com a natureza é muito compensador. O melhor de tudo, o que mais me encanta  é o elemento surpresa do trabalho. Você nunca sabe se vai vir uma tartaruga, que espécie, que tamanho, que tipo de animal vai estar no curral... será que vai dar uma marezada  de Xaréu?  Garatimbó? Garajuba? Sardinhas? Se a canoa não virar, olê olê olá! Essa curiosidade diária não deixa a gente morrer de tédio, de jeito nenhum! Da natureza pode-se esperar de tudo!  Às vezes encalham uns defuntos na beira da praia: tartarugas, golfinhos, humanos... As tartarugas e golfinhos a gente enterra.  Faz parte da brincadeira.
Vou pros embarques com um Kit de campo composto por:  máscara/snorkel/nadadeiras, pra dar aquela mergulhada no curral e ver se tem alguma tartaruga viva ou algum casco-prova-do-crime no fundo.  Essa parte é legal,  exceto quando me deparo com raias gigantes, tubarões e rêmoras (essas ficam te seguindo embaixo dágua pra grudarem em você!). Nesse caso volto pra canoa mais rápido que o papa-léguas!  Fazer isso todo dia faz a gente começar a dominar a arte. Tô pensando em montar um curral... trabalhar 5 horas por dia e ficar esticada numa rede na beira da praia pelas próximas  19 horas do dia.  Isso é o que eu chamo de encontrar o sentido da vida!

Voltando ao trabalho, o resto do Kit a gente usa quando volta pro seco com tartaruga. GPS (marcar o ponto de encalhe das encontradas mortas pelo caminho, eventualmente), câmera (tudo é fotografado), alicate especialmente desenvolvido para marcação das bichas (se você perder ou estragar é um estagiário morto),  marcas de aço inoxidável (piercing com número do RG delas),  alicate de bico (retirar epibiontes nojentinhos), pinça, Gilette e tubos corning  (coleta de tecido pra exames genéticos), cordinha e balança (pesar é importante),  fita métrica (biometria), álcool e iodo pra marcação e coleta de tecido.  Menos de 30cm de comprimento, não marca. Chelonia  com menos de 1 metro, não coleta tecido.  Tudo com muita areia em todas as partes possíveis do corpo, seu e da tartaruga.

Chegando do embarque, os pescadores vão embora com seus peixes e a gente fica sozinho  na beira da praia fazendo os procedimentos com as tartarugas. Já cheguei a ficar sozinha com 4 belezinhas me esperando.  Plastrão virado pra cima pra elas não fugirem. Depois de tudo, fotos.  Solto de volta pro mar rezando pra nenhum pescador famigerado levá-las pra panela e carregar as marcas numa correntinha no pescoço.  Volto 50min de caminhada no sol, carregando vários peixes que a gente ganha cada vez que embarca... e que se você disser que não quer é muuuita desfeita. Tudo isso com muita disposição pra permanecer em pé no Centro de Visitantes.  Ou ir pra alguma escola a 1h de bike  cumprir os módulos de Educação Ambiental.  Em torno de 15 escolas pra cumprir no semestre. As mais distantes  primeiro, pois estão com módulos atrasados.

O trabalho - Base Almofala

Quando pergunto pras crianças das escolas da região: o que o Projeto TAMAR faz? Todas respondem em coro: cuidá das tátárúúúgas!! 
Na Base Almofala a rotina é a seguinte: toque de levantar às 6h30, pois temos que estar às 7h na área da de tratamento cortando sardinhas pros animais do Centro e fazendo papinha pras debilitadas que habitam a quarentena. Isso com um enxame de 5.000 moscas em volta de você e dos peixes, e 4.700 pernilongos petrejando a porção inferior do corpo, picando através da roupa. Estagiário só se livra dessa função quando tem que ir pro campo... ahhh... a melhor parte! Caminhar 50 minutos sob o sol escaldante pra chegar na Boca da Barra, onde tem 2 pesqueiras e 2 currais no mar. Fazemos monitoramento marinho, que consiste em embarcar com os pescadores e mergulhar no curral com máscara e snorkel pra ver se tem alguma tartaruga por lá. Um desses currais é longe, fica a 1h30 de canoa da costa, isso quando o vento tá bom, senão demora mais! Em média 5h embarcada, não importa se tá chuva, sol, tempestade. A vantagem é que quanto mais fundo, mais clara a água. As areias do Ceará deixam a água esbranquiçada em certos períodos. A plataforma é rasinha rasinha rasinha... 1h30 de canoa rumo ao horizonte e ainda dá pra ver o fundo, dá uns 5m de profundidade só. Isso permite que os pescadores construam estruturas de arame, cipó, cordas e madeira, de funcionamento complexo, pra armadilhar os peixes de modo que eles possam passar a rede lá dentro. O conhecimento da arte curral-de-pesca é passado de pai pra filho, e tem um mestre especializado na região em te dizer o ponto exato no mar que eles devem montar o curral, caso contrário não se pega nenhum peixe, muito menos tartarugas! Dá pra imaginar? Sabedoria popular!
Bom... chego do campo NAQUELE estado. Melada de água do mar e baba de peixe,  cheirando a peixe com tartaruga, suando que nem um camelo, morrendo de sede, fome e vontade de pular numa piscina fresca. Teoricamente tem um horário de almoço que vai das 11h30 às 13h30, período em que as portas do Centro de Visitantes são fechadas em dias de semana. Acontece que a gente só pega esse horário de almoço se o campo é cedo, tipo 6h30 da manhã. Se vc chegar às 13h, só tem 30min pra tomar banho, comer e prestar continência no Centro. Na maioria dos embarques a gente chega depois do horário técnico de almoço. O tempo de tomar banho e engolir a comida: diga-se de passagem, um prato de estivador!! Os estagiários ficam de plantão pra receber turistas e responder às perguntas clássicas: Tá vivo? (pros animais no formol). Quando vcs vão soltar elas? (resposta: não serão soltas, estão aí pra comovê-los, quero dizer, pra educação ambiental).  Posso entregar meu currículo pra você? Como faz pra trabalhar aí?  Tira uma foto comigo?  Olha amor, temos uma foto com a bióloga do Projeto.  (Quem vê pensa!) Bate uma foto minha? (por essa eu devia cobrar). Tartaruga menstrua? Vocês ganham pra estar aqui? ( é vo-lun-tá-rio) Você é de onde? Sotaque diferente...
Os mais “bicho-grilo politizados” chegam intimando: Esse Projeto é uma hipocrisia! Patrocinado por uma Petrolífera!  (aposto que veio de carro!)
Fora a turma que chega bêbada da praia querendo entrar nos tanques, xavecar os estagiários, levar as peças do museu pra dar um rolê, tem de tudo. Até criança dando pedra pras tartarugas comerem. Um verdadeiro espetáculo da biologia moderna!
Vira e mexe chegam uns busões lotados, querendo entrar naquele momento, pedindo alguém pra explicar passo a passo do Centro. Prioridade é do estagiário de atenter. Então, haja garganta!
Pensem comigo... quando tem maior fluxo de turistas na praia? Sábado, Domingo e feriados. Estagiário não tem folga, afinal, são "só" 6 meses e temos que participar intensamente de tudo.

Primeiras anedotas

Exatos 3 meses e 20 dias de estágio foi o tempo de gestação dessa postagem.  Vou puxar da memória os primeiros momentos.  A primeira impressão foi ter caído de pára-quedas na Ilha de Lost.  Vamos lá: Vôo Viracopos-Fortaleza, de lá um busão destino 237,1Km  oeste de Fortaleza, num período de 7h, parando em tudo que é beco  por uma estrada pista simples em que só se via mato, vilarejos  e bolas de feno girando na frente da pista.  Praia, até então, nem sinal. Chegando em  Almofala, o ponto final do bumba, faminta, cansada, doida pra chafurdar no mar,  fui recebida na porta do ônibus por um homenzinho com abadá amarelo escrito “Moto Táxi”, que repetia  rápida e enroladamente:  "Porréto Tamar? Porréto Tamar?" Ele tava quase subindo o primeiro degrau do ônibus pra me tirar de lá de dentro. Ok. Foi combinado que um veículo estaria lá pra receber os estagiários.  Olhei pra ele, olhei pra moto e lembrei  de um recibo de  multa de 150 reais por excesso de bagagem, afinal passaria 6 meses num local isolado morando com índios.  O nome dele é Hélry, o melhor Moto-Táxi da região, especializado em dirigir a moto na areia fofa sem nos deixar  cair de lado. Por isso incumbiram-no de levar “a menina do Projeto”.  Ele foi chamar outra moto pra minha bagagem.  2 reais pra cada moto,  por uma estrada  de areia  “15-min-a-pé”  pra chegar na porta do Projeto.  A galera aqui anda de 3, 4, até 5 se 2 forem crianças numa moto sem capacete, naturalmente.   
5% da população tem RG. 2% sabe escrever.   0,003% tem habilitação pra dirigir.  Os jegues foram substituídos por motos. O governo Lula deu uma garibada na situação do nordeste, sim.  Agora temos grupos de jegues de rua revirando os lixos.  O que eles não comem é jogado no mangue e ateado fogo, ou queimam nos próprios quintais de suas casas. Nem sinal de aterro sanitário.
Chegando no meu destino, achei tudo lindo. O calor-sauna-natural do nordeste, a areia pelando que afundava até o tornozelo. Pra chegar no meu quarto tinha que passar pelo Centro de Visitantes.  Ajeitado, bem decorado com motivo de tartaruga, tanques com belezinhas nadando pra lá e pra cá (coitadas), xuxu.  
Entrando no alojamento, a Executora de Base (cargo imediatamente abaixo de Coordenadora Técnica, antes da autoridade máxima, o Coordenador Regional)  nos recebeu e deu as primeiras coordenadas. Eram 16h e não tinha onde comer, mas ali pra frente, pela  praia,  tinha a Barraca da Gringa.  Se ela fosse com a nossa cara podia levantar da rede e fritar um peixe.  Nossa  chefe  perguntou o que a gente queria fazer naquela hora, atravessei:  Quero ver o mar!!  (na minha cabeça: pelamordedeus   me mostra a parte boa disso tudo!)
A praia de Almofala é maravilhosa.  Desertinha...  A gringa tratou a gente bem e fritou o tal do peixe.  A água do mar é mais quente que a função inverno do chuveiro. Como não gosto de passar frio, me amarrei!  Até perdoei a quantidade de Sargassum grudada no cabelo, afinal é uma área de alimentação de tartarugas, e a espécie mais abundante do local (Chelonia mydas) é vegetariana. De dentro do mar dava pra ver 2 crianças no rasinho agachando pra fazer cocô. Tudo bem.
Pra dormir, tem que usar aqueles véus contra muriçocas. Na primeira noite descobri que  o véu é contra: mosquitos, sapos, baratas, morcegos, ratos, cobras, aranhas caranguejeiras,  formigas gigantes voadoras, preás, e por aí vai. Tinha começado o teste de resistência psicológica.
Pelo menos dá pra ouvir o mar de dentro do quarto.