O trabalho na Volta do Rio é diferente de Almofala. A Sub-base é um sobrado que faz parte de uma comunidade de pescadores. Aqui tem uma lan house perto, com 3 computadores. Não temos o Centro de Visitantes nem a Brigada Ecológica, que acontece no Centro de visitantes em Almofala, em que 10 crianças passam as tardes de terça e quinta fazendo atividades conosco. Eles são muito indisciplinados! Aqui é só trabalho de campo e escola, e são bem menos escolas. Dá pra dar aquela esticada na rede depois do campo, independente do horário que você chega. Mas aqui tem os embarques de madrugada. Tem também a fofoca. A galera aqui observa sua vida e comenta mesmo! Ainda mais que a gente chama pouca atenção, por ser de fora, por ser do Ibama. Não tão nem aí! No começo era desgastante ouvir sermão da coordenação, mas hoje eu acho muita graça e não me importo nem um pouco. Dou risada, brinco com eles, confirmo as coisas. Meus chefes ficam doidos com algumas fofocas em relação a nós, pedem pra gente evitar beber em público e, claro, relacionamento com pessoas da comunidade nem pensar! Voltando pro trabalho na Volta do Rio, aqui a gente faz cobertura de 7Km de costa, mais ou menos. Tem embarque em 2 pontos. Um curral, a 5Km do aloja, o Guajiru, e outro ponto mais perto, uns 15min de casa a pé. Esse último tem 7 currais. Calculando uma média de 5 pescadores por canoa, são em 35-40 homens reunidos na pesqueira, bebendo Ypioca e esperando pra saírem todos juntos, de acordo com a altura da maré. Escolho uma canoa por dia pra ir dar um mergulho. Pra passar a rede no curral tem que ser com a maré mais baixa, que ocorre de 12 em 12 horas mais ou menos, e varia um período de 45min por dia. Se a gente embarca um dia às 4h da manhã, no dia seguinte tem que estar na pesqueira às 4h30, no outro às 5h e assim sucessivamente. Quando o embarque tá lá pro meio dia, vira a maré de novo e recomeçam os embarques da madruga.
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