Nós simplesmente não temos noção o quão estragamos nossos sentidos enfurnados entre pistas de rolamento e estruturas de concreto. A vida na praia tem me abrido os olhos, os ouvidos, o nariz, a visão, o tato. Ter um campo de visão amplo faz com que exercitemos esse sentido a longas distâncias. Já consigo saber se tem alguma canoa com pano abaixado no curral, no horizonte pequenino, e distingo os pescadores pelas silhuetas, uma sombra negra e pequenina lá no meio do mar. Olhando uma sombra de cima lá na água e dá pra saber se é uma tartaruga, um cardume de sardinhas, etc. Do alto mar, vendo um montinho na areia, sei se é uma tartaruga de barriga pra cima , inclusive que espécie que é. Só na pratica mesmo. Já estou reconhecendo as pegadas na areia de quem são. Quando cheguei, achava incrível os pescadores saberem quem tinha passado por ali! Andar descalço faz com que prestemos muito mais atenção onde a gente pisa: uma plantinha, uma pedra ou uma cobra! Muito mais seguro que atropelar tudo de galocha sem sentir nada. Além disso, quando andamos descalços, nossos outros sentidos também ficam mais aguçados. Nossa percepção geral cresce, aumenta o fluxo de energia com a natureza. Os ouvidos não se entorpecem com o ruído dos automóveis e começamos a distinguir o canto dos pássaros, etc. etc. O olfato não fica estragado com a poluição e consequentemente sentimos mais o sabor dos alimentos. É. Fomos feitos pra isso mesmo.
viva a vida sem glutamato!
ResponderExcluirmuito sensato...adorei!
ResponderExcluirDe alguma forma vc me remete a um tempo de minha infancia, onde estas percepções eram aguçadas, eu fui perdendo pelos caminhos da vida, mas hoje acompanhando seu blog vou revivendo.
ResponderExcluirObrigada, reviver é como viver duas vezes.
mãe, vc não as perdeu. acredite.
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